Você. Sem forças pra pensar o contrário ou pra “facilitar” a realidade e não pensar. Fico imaginando esta madrugada… Jeri… quanta arte existiria? de que amarras estamos falando?

Às vezes penso no destino e sobre como muitas vezes passamos perto um do outro e o encontro não existiu. Quantos mais amigos em comum se farão necessário? Quando te vi, vi o que mais ninguém viu. Vi a fragilidade de um rapaz que tudo esperava, a lágrima real, o soluço e o nó na garganta, a saudade… a fragilidade. Eu poderia desenhar um mapa de sentidos onde você foi eu e eu fui você sem nos tocarmos. Eu penso muito, daqui…

Eu volto até o início. Te carregando mais uma vez.

Digo: O destino pessoal é uma linda novela (que eu acompanho e me surpreendo todo dia). E tá tudo bem. Tenho certeza da nossa proximidade, sem pirar, sem gritar, sem chorar. Mas é louco o modo como eu sinto… admiro… observo… Quantas luas, rapaz?

Doce

Artista

Forte

Humilde

Mesmo não querendo ser realista e continuar sonhando com estas luas, preciso dizer que tua ajuda foi gigantesca. E talvez seja só isso. Dói pensar… mas talvez seja!.

Houveram noites na minha casa, onde, ora olhando para o ventilador ou guarda-roupas (a luz acesa irritava meus olhos) e ora não olhando pra nada pela escuridão ocasionada (o sono tirava o meu raciocínio) eu apenas me lembrava de sei lá o que, e via você. Do seu jeitinho. Seus olhos penetravam meu coração e aquilo era o meu combustível pra mais 2 ou 3 dias (fáceis) difíceis para aquele tempo.

Chegaram as noitinhas cariocas, onde eu só via você. Umas em laranjeiras, sentado num banco de um boulevard conhecido agora como praça. Haviam pessoas ao redor, algumas mesas de um bar próximo e as minhas lagrimas. Mas não eram de tristeza não… embora também não sei dizer do que eram, mas você um dia saberá me dizer melhor do que minha imaginação. E em seguida, saia andando pela longa rua de prédios modernos dos anos 50… aquelas janelas imensas me trazia imaginações. Pensava na tua mobília, na madeira dos teus móveis, no teclado daquele outro alguém. E ia andando… cantarolando pra voltar, que o caminho daquela dor me atravessava e a vida… deixava tudo quieto. O ar carioca era maravilhoso e quente, levemente fresco naquele meio de noite (agora há o frio 12, Jesus!)

Adentraram os papos sobre você em roda. Que desarmonia. Não tava tudo bem. Eu queria gritar pelo umbigo, mas preferia apenas concordar e ora não aguentava, mas ainda assim era sucinto nos comentários. Dava saudade das madrugadas falar de você. E numa conversa no Alfabar… Aquele botafogo: lindo. E você, mais lindo ainda. Rolou tanta coisa aquela noite: Brecht, Moreira, Travestidas, Teatro, Pastel, Cerveja, Teu nome!, Teu companheiro, mas não você. Momentos de êxtase, sem explicação. Não consigo descrever aquela noite, até hoje, um semestre depois… o melhor início do melhor ano que já tive. E digo isso sem ele ter acabado, pois não há feito que o fizesse superar as coisas boas.

E depois de tanto pensar, notei que a gente continua ali… na areia. Nossos pés estão descalçados, camisetas regatas bem frescas, calor e uma leve brisa. A gente conversa sobre as estrelas… “viemos de onde? Quem tá lá?” Nossa, o assunto é infindo. Começo falando da minha adolescência… “e, estivemos tão perto, né?” te ouvir me inspira e por vezes me sinto sem jeito ao teu lado. Não sei lidar, só isso, mas esta tudo bem. Na verdade nunca esteve melhor. Nossos pés que apontavam para a praia, antes da bola de fogo durar seus três belos segundos, agora viraram cento e oitenta graus e olharam junto aos nossos olhos, para aquela casa… O cercado te chamou atenção, o modo como ele está fincado na areia, o piso é único e natural, sem fim… apenas a água que o encobre em certo momento e a terra o ultrapassa em outro, duas extremidades paralelas. Falamos daqueles galhos, daquela possível família, de histórias cearences… e então eu consegui só deitar e continuar te olhando e ouvindo… eu respirei… reparei que nunca tinha respirado antes, não daquele jeito. Reparei também que assim como o ar que nunca tinha entrado em mim, muita coisa nova acontecia pela primeira vez. Eu te encontrei.

“Essa noite, eu te encontrei em meus sonhos…”

Agora, você estava lá. Não era mais um sonho. E de repente eu estou dentro de um casarão, no meio do oceano, o casarão irá se afundar e é preciso se salvar a qualquer preço.

Apenas você, e eu.

Igor Florim