Certas madrugas levaram consigo muitas lembranças vividas ou idealizadas. Um romance certeiro, perfeito e completamente alheio a mim. Tinha tudo e nada teve pra dar certo.

Interrupções de longos anos movidos pela busca incessante por ele. A maré levava… a maré trazia… levava, perdia-se a imagem nos horizontes e reaparecia tomando forma meses depois. E assim foi.

Foi. Às vezes eu o via, com um carinho que hoje não sei se entendo. A admiração foi trocada por indiferença… talvez pela marca que a dor infinita me causou. Um melhor amigo se foi com aquele que Centauro amou. O que se amou logo também se foi. O melhor amigo, nunca foi amigo e quem dirá melhor. Virgo, o amor, na verdade não amou. E nunca mais voltou. Até agora.

8 anos com o crepúsculo das madrugadas. E essa quantidade de tempo é capaz de mudar qualquer realidade. Até o mais sólido dos amores (que nunca foi o caso) pode ser trocado por… ar, fogo ou água. Ou até mesmo por terras, mas as vizinhas.

Centauro: Olha, peregrino, eu não sou mais o teu cara. Talvez nunca tenha sido mas eu acreditava no contrário. Hoje já não é mais o nosso tempo, se é que um dia foi.

Eu vi nos seus olhos sem olha-los, a indiferença do sentimento.

Virgo: Quero de ti, apenas o que eu sempre sonhei e nunca coragem tive para buscar. És uma possibilidade de ganho fácil. Obter através de você beneficios que hoje você tem após tanto ter lutado, sozinho. De ti, ou melhor, para ti, emano apenas o meu interesse. Nada mais.

Virei. Sorri como nunca antes… nada me abalou nessa altura, apenas fiquei feliz por sofrer durante tantos anos e hoje já não carregar este fardo. Posso ter levado 8 anos para aprender essa lição, mas, jamais a esquecerei. E sobre Virgo, este, esqueci faz tempo.

Medi 2 ou 3 vezes e nem a tua altura eu lembro.

Igor Florim