É inverno. Nesse momento meus olhos estão ardendo, entenda como quiser.

Acabo de chegar em casa e deitar na minha cama. É uma quarta-feira de agosto… mesmo com um leve frio de 15 graus, resolvi (como em noites passadas e momoráveis) abrir a janela e fechar apenas o vidro, para então poder ver o céu. Confesso que não é tão bonito, mesmo isso sendo uma questão de ponto de vista.

Que te sussurras: “É terracota o céu de São Paulo.”

Não consigo ver nenhuma estrela hoje, mas elas estão lá e como eu já disse, estão me vendo.

Só consigo pensar no desfecho da tua tatuagem. Será que em 23 de fevereiro de 1979 o céu tinha a mesma cor? Será que esse dia existiu?.

Hoje te encontrei e também não foi nos meus sonhos. Acreditem se quiser (para quem interessar possa, se um dia alguém ler este relato quase epifania): Mudei. Estou diferente… algo aconteceu como resultado de tanta mudança externa de vida. O interno também resolveu gritar, e com força. Foi como um sino, começou baixinho a ponto de duvidar se realmente escutava-o – diferente do assobio que escuto toda hora, durante toda a madrugada no tatuapé, já disse pra mim mesmo que em breve pego o carro e saio madrugada à fora caçando este infeliz. Claro que só vou observa-lo e confirmar pra mim mesmo que se trata de algum traficante, mas tudo bem, ironia do destino e deveria ser então assim a venda das “drogas”? (Pense sobre isto durante alguma tarde, mas agora imagine que é noite, pois é.)

Acontece que o tal sino foi aumentando gradativamente em 24h e agora, consigo ouvi-lo quase nitidamente.

“A sua voz é especial

Se eu a escutasse sem vê-lo,

Diria que não é sua

Mas te vendo e ouvindo,

Você é inesquecível.”

E tenho dito. Acho que entendi algumas coisas da vida… algumas respostas estão chegando e o processo está acontecendo. Que bom, né? Tive tanto medo. A gente é assim.

Parte disso… é por ti, peregrino. Por sua causa. Aquele olhar me mandou uma mensagem que foi crescendo com o passar dos anos.

Hoje uma professora me disse que a gente só aprende observando e copiando em nós. Pois bem: Consegui chorar, depois de muitas tentativas e hoje choro facilmente, até na vida e na sensibilidade que só o que é poético traz – ou talvez aquele processo no meu quarto com a minha câmera também fosse poético, e trouxe. A mudança começou ali, agora da pra ir vendo o destino ligando as peças, e… noto o processo! Mais um alívio diante do muito tempo de muitas cobranças pessoais (inclusive, li estes dias um aspecto no meu mapa astral, que me mostrou que muitas coisas se resolveriam se eu relaxasse ao invéz de me preocupar tanto). Mas e se eu não tivesse canalizado tudo? A energia não teria me trazido a ele, daqui 7 anos.

Mas voltando para as lagrimas, elas que passarão aquela tal mensagem que agora conheço, ou, na realidade essa opção faz mais sentido (diante das respostas que o destino anda trazendo): passarei uma nova mensagem – pra finalmente fazer jus ao meu ofício.

Que marca uma tatuagem faz, afinal? A marca de te deixar preso em São Paulo sem emprego, enviando cartas pra tua família nordestina ou a marca de amor recortado no teu peito esquerdo?

Chão de estrelas. Yasmin e JB. Tu me pediu pra voltar…

E vejo que é possível ser muito feliz num dia de quase rotina, mesmo dormindo apenas 4h de sonhos. Ta vendo o lance da mudança? Foram 4h de sonhos, e não de sono.

Nunca mais serei o mesmo.

Nunca mais fui o mesmo.

Você é inesquecível;

Nunca te esquecerei.

Igor Florim