Acredite se quiser, peregrino: aprendi a te encontrar. Hoje, voltando da faculdade com meu guarda-chuva rumo ao trem, após uma longa série de conversas suicidas, musicais e extra-terrestres, me protegi da chuva e vim pensando – ainda, nos motivos que me levaram a mudar internamente. E ainda tenho dúvidas.

No trem, sentei no chão, pela primeira vez. Vi o vagão imenso, como nunca havia notado. Também vi um outro ângulo ao olhar pela janela. Os prédios… alguns conversam com a cidade, outros são esquecidos por ela e se escondem. No meu fone, estava Cida Moreira com seu Chico Buarque… me senti completo! Olhei para as pessoas e consegui ignora-las sem querer (Estava tipo em um sonho, pleno e em equilíbrio) e as li. Todas conectadas com o seu mundo próprio. Será que agora sou parte deles também? Pois se eu me olhasse, veria, aquele garoto sonhador e que eu interpretaria como outro alienado. Curioso pensar nisso.

Aconteceu, vou precisar parar por aqui. Ou apenas achei que senti algo, mas não era nada.

Onde está você agora?

Nessa nova versão de mim – recente versão, diria, eu preciso muito escrever. É como se alguém fosse um dia depender destas palavras pra alguma coisa muito importante pra vida. Ou pode ser que ninguém nunca leia, nem eu mesmo, mas elas precisam sair do lugar de onde vieram – sabe-se lá que lugar é este, mas não cabem mais aqui dentro. Estar com meu celular ou computador escrevendo neste pequeno e limpo lugar, me leva num outro espaço e tempo. É como um diário… é como, você, peregrino.

Teus olhos:

Tuas dores.

Teus tus:

Andam comigo.

Ultimamente – sobre teus olhos, ou, por causa deles, comecei a escutar muitas observações sobre os meus olhos. E fiquei muito curioso sobre isso, afinal, o que eu mais admiro em você – que é o que me levou pra ti (talvez a explicação seja essa), agora chama a atenção de outras pessoas da minha realidade. Foram 5 minutos pensando nisso, viajei pra longe. Ei, um pouquinho de você, tá aqui comigo – na verdade, acredito que muito de você tá aqui, e sendo assim, você existe.

PS1: Eu precisava ouvir o barulho daquelas ondas.

PS2: Cheiro de mel? Só porque é doce?

PS3: O efeito ainda não aconteceu.

Voe enquanto isso, para depois, pousarmos juntos.

Igor Florim