As mesmas prateleiras, a mesma cama – a mais confortável, os cobertores, travesseiros e cheiro também não mudou.

Me pergunto sobre meus outonos… bato o olho na parede e vejo ele, o pequeno príncipe extra-terrestre. Que loucura.

Noto a voz da minha mãe e de uma grande amiga da família… estava com saudades de acordar cedo pela barulheira da casa! “A voz do dono e o dono da voz”: comentado nos meus dias. A casa anda feliz, pia cheia de louças, sinal de vida.

Por aqui tudo continua igual. Só eu que mudei e sou o mesmo, ao mesmo tempo. Fazia 1 mês.

Aqui dentro (sei lá como veio parar), ainda encontro sinais do peregrino… que bom!!! Me sinto carregado e sendo assim, há combustível pra muitos outros dias. Há força. Mas e o que não há? Arredar esta tristeza que o que há de ser tem muita força?.

Acordar. É tão bom poder acordar. Talvez dormir demais seja um sintoma depressivo, de se esconder, de não pensar – e só sonhar, para este, vejo algo especial além do que todos veem e ninguém entende (nem mesmo eu), mas agora quero acordar, olhar minha casa, minha família, conversar ou só ficar em silêncio… mas estar alí pertinho.

Deveria existir um dicionário de silêncios.

Igor Florim