Um pouco do que eu sinto, é porque hoje é sábado à noite. Na verdade, já é madrugada de domingo, mas o efeito é de sábado à noite.

Existe uma sensação de eternidade neste horário e neste dia da semana… parece que nunca vai acabar e que também nunca chega. Mas quando vejo, já passou. Como agora. Vim escrever e percebi que isto já havia ido embora.

Quais são as coisas da vida que demoramos pra perceber que já acabaram? No meu caso, demorei 01h32! É tempo pra muita coisa se mover… mas o que se move?

Hoje muita coisa já se moveu. Em doze horas estarei voltando pra São Paulo… e deixarei tudo pra trás. Tudo ou nada? Tudo!

Queria poder leva-los comigo. Lá sinto falta deles, aqui sinto falta de lá. Meu pai me disse duas vezes: “Tudo passa…”. Ele disse de um jeito tão profundo, que eu conseguia ver através muitas lembranças e dor, talvez arrependimento. Não, ele não é saudosista. Talvez eu seja, e ao mesmo tempo sou o sagitariano mais ligado no futuro de todo o mundo. Não vou falar disso, mas há uma balança aí e uma briga pessoal por equilíbrio. Em tudo na minha vida.

Na verdade eu queria falar daquela sensação boa que sinto aos sábados à noite. Mas quero sentir pra falar e não apenas relatar o que me lembrar, por não estar sentindo… percebi ao começar a escrever este conto que o sábado à noite já havia acabado. Quantas coisas percebemos só tarde de mais?

O que se move…

Hoje algo está incompleto. Mas o lado bom é estar na minha velha e boa cama, no melhor momento do meu dia, o que eu deito e penso.

Uma vez Domingos Montagner – eu e meu irmão falamos dele hoje, e ao digitar este nome, lembrei de toda a cena, disse que ele ensinava seus filhos a não fazer nada. Que eles tinham que ter um momento do seu dia pra não fazer nada e, pensar. E que isso era muito importante. Concordei em número e grau.

Vou praticar isso mais uma vez. O que são aspas? Quando vou ler isso na minha vida?

Todo mundo espera algo de um sábado à noite?

A flecha está apontada pro que ainda não chegou.

Igor Florim