Antes eu só via o início e o fim:

Luz nas trevas. O tempo não para, mas também não passa.

Nas folhas secas, vivo o presente que esmago com meus pés. Como uma trilha, que leva…

Pra onde você me levou?

22h23. Passou um minuto. É sempre assim.

Um dia corrido – ou não, se passou. E com ele, todos os desafios e deveres.

“A noite vou aproveitar o momento e assistir alguma coisa boa.” – eu disse.

Aproveitei! Indo ao mercado, ligando pros meus pais no trajeto – que saudade dos meus amores, jantando, conversando com o meu vizinho sobre sua conquista do mestrado, saltando no chão molhado de casa pra não manchar, buscando coisas de cinema nacional na internet e decorando texto.

Aqui: decorando texto. Relembrei madrugadas à fora pouco tempo atrás onde era rotina. E era tão bom. Agora também foi bom! – muito bom.

Comecei a escrever devido a um vazio que me deu quando conclui todos os meus afazeres. Como se tivesse feito tudo e faltasse algo. Também sentia uma raivinha por não ter encontrado um bom filme pra assistir (Embora, comprei o seu na internet. Ta ai: você novamente. Entende? Foi sem querer, e querendo tanto!!!). Mas notei algo.

Notei que minha vida é isto. Sou um artista que precisa de arte. Não posso me cobrar tanto… eu preciso sempre estar em equilíbrio emocional, e esta é a minha luta. Não é fácil ser artista, mas é o que eu sou e eu me amo.

Sou um turbilhão de sentimentos, e é delicioso vive-los. No meu quarto, na rua, no metrô, nos trabalhos. Na verdade, tudo é a mesma coisa.

A melhor parte foi estudar meu texto e decora-lo, mas por costume do hábito, não havia notado.

Na verdade não falta nada. Tudo já existe – aqui dentro, e estou apenas buscando, procurando e encontrando – em mim.

Decorando os caminhos, sobretudo.

Antes eu só via o início e o fim.

Hoje, tento encontrar os eixos que me equilibram e trazem o prazer no meio do caminho. Como um nódulo lunar norte. Como não, por.

Libra.

Antes eu só via o início e o fim.

Hoje…

Há um novo tempo.

Antes eu só via, sem importar o que eu sinto.

E este, é o mais importante.

Igor Florim