Esta é a minha visão, agora. Sexta-feira às 17h25. O tal do Happy Hour. Lembro quando na quinta-série um querido professor, Rubens – nome de um falecido querido tio, nos explicou sobre o Happy Hour e Hora do Rush. Na época, no interior de São Paulo, não imaginei que passaria por isto um dia, mas hoje passo na capital e, amo minha rotina.

E é sobre isto que vim falar.

Pra lhe mostrar mais porquês, o título deste texto, está num livro, à minha esquerda. Uma mulher o lê com fones de ouvido. Queria entender como isso funciona, mas hoje não. Na capa, há uma vaca num pasto. “Nada mais a perder”… muito confuso. E por mais lúcido que estou ficando com o passar dos dias, não entendo isto. Nem a vaca. Nem o livro. Tampouco os outros.

Nada mais a perder…

Realmente, nada mais. Na verdade, pode ter sido um erro ter perdido coisas. Ou simplesmente, as coisas que chegaram em mim nesta vida, chegaram porque deveriam ter chegado. E as que não chegaram, não deveriam. (É mais fácil pensar assim? Estou sendo acomodado ao dizer isso?)

A cena já mudou, acreditem: quase não consigo digitar. Tive que me levantar – esta foi a segunda vez na vida que sentei no chão de um metrô (pensei em escrever isso quando tive a ideia de escrever no metrô, mas as palavras tomaram outros rumos), porém agora mal consigo ver o meu celular. Há uns 4 braços segurando na barra de alumínio que encosto meus ombros.

O ar gelado artificial me faz lembrar de um tempo. Hoje tentei aproveitar o calor do dia. De manhã, 14 graus e mesmo assim sai de bermuda – 6 da manhã. Pois a promessa da tal previsão falava em calor do meio da manhã em diante. E assim foi. Mas na cidade da garoa não podemos esperar muito em relação a isso, principalmente no inverno (como se houvesse distinção de estações por aqui). Meu corpo começou a se acostumar, mas ainda sofro muito. Cada articulação range com a caída da temperatura madrugada ou longo do dia à fora.

Nada mais a perder…

Ontem tive um lindo dia. De realizações. Lembra que vim escrevendo sobre novos tempos? Eu entendi uma coisa: por dentro, eu mudei. E o externo começou a mudar agora também.

Estou feliz como nunca antes. Novos rumos, novas expectativas. Tudo novo este ano. Minha gratidão ao universo é intensa e constante… minha alma andava precisando disso… estou me encontrando.

Sou mais forte e mais sensível, a cada noite. E por isso admiro a beleza do sono de sonhos.

Brigadeiros – estes, com algo a mais, coxinhas e chocolates.

Pela primeira vez desde que me vejo sozinho – amorosamente falando, pensei (ao sentir uma leve dor na espinha das costas), em receber uma massagem. Lembrei de todo um tempo onde existia a troca de carinhos e troca de muitas outras coisas: valores, aprendizados, respeito, passeios, momentos, olhares e beijos. Trocavamos também muito sentimento – amor. Hoje em dia vejo tão pouco deste tempo em mim (ou talvez eu seja o que este tempo me transformou, como uma soma, um acrescimo, e nunca subtração ou resolução. A conta segue seu padrão) mas ainda assim, lembro de tudo, todos os detalhes – impossíveis de esquecer. Dos filmes, das madrugadas andando de carro pela cidade, as conversas infinitas, os olhares que eram também infinitos, os jantares, as aventuras, as risadas, os abraços apertados, as brigas com a sensação de nó na garganta que se curava rapidamente com um perdão sincero e intenso pra coisas tão sem verdade e sem propósitos (e rir disso depois também era bom), todo o seu corpo… tudo de você. Você e eu. Antes de mais nada, amigos.

E então me vi pela primeira vez, concluindo o pensamento de estrofes acima, imaginando a sensação – lembrando, de como é receber uma massagem.

A sensação de sentir os dedos, os carinhos, o momento e até a música ao fundo (nunca me esqueci de toda a melodia…) percebendo no meu presente, que passei por dois anos de solidão amorosa. E mesmo eu sendo o amante mais apaixonado e a pessoa que mais acredita no amor em todo o mundo, sobrevivi por este período (ele foi muito necessário, na verdade, ainda está sendo, pra tudo entrar em equilíbrio), entre altos e baixos. Aprendi a me amar (mais) e isso pra mim, não tem preço. Meus momentos, meus. Sozinho.

(A massagem nunca foi importante.)

Estar com você, despertar em mim tudo o que me tornei e viver hoje toda a sensibilidade dos meus dias, graças a você e todo aquele tempo, tem em mim, toda a importancia que eu devo dar. (Isso sim sempre foi importante). Obrigado. Fique bem, meu querido, também ficarei.

Vida que segue! (Graças a Deus).

Cheguei na minha casa. 17h54. Espero que você chegue logo, também.

Igor Florim