(Ao som de Cigarra – Milton Nascimento (Versão do Musical “Nada será como antes”))

Os caminhos já acontecem de maneira fluida. Já não presto mais tanta atenção na rota do indivíduo, apenas sigo. (Estou abaixando a guarda? É assim que seguimos? Deveriamos nos envergonhar ou temer?)

Existem dias como o de hoje, onde eu consigo pensar somente no meu ofício. Qual o verdadeiro ofício artista? Quais os propósitos que levam a verdade para o meu trabalho?

Eles mudaram o meu dia. E acontecimentos como esses, geralmente são breves e é preciso estar com todos os sentidos apurados para absorver toda a energia que chegou até você – geralmente após percorrer uma longa distância no espaço e tempo.

A humildade de três artistas singelos e envergonhados que chegaram no metrô. Mas naquele sorriso de canto de boca havia toda a verdade possível. Havia a conexão que os verdadeiros artistas (espécies de uma longinqua planice) conseguem estabelecer com o ouvinte. Estes – artistas, encontraram seus propósitos.

Fizeram três belas canções, e antes de passarem o chapéu, ofereceram em troca abraços, aperto e mão e sorrisos, e pediram não dinheiro pro chapéu (este seria apenas se fosse espontâneo), mas pediram sorrisos em troca. O vagão todo, viveu. Eles deram vida pra todas aquelas pessoas (e eu) que tiraram (tiramos) os fones dos ouvidos para prestar atenção neles.

A arte transcendeu. Algo tocou alguém. E estes artistas cumpriram seu ofício.

Eles não tem fama.

Eles não são ricos.

Eles não são globais.

Eles são artistas. Abrindo mão de coisas para dar vida a arte deles. E veja só o poder desta? Se eles não tivessem colocado ela em primeiro lugar, eu não receberia como mágica o que eu senti. Nem os outros passageiros.

Eu preciso apenas refletir, e me por no lugar deles.

Foi muito forte receber a energia daqueles artistas. Gratidão, domingo. Agora há uma nova canção para cantar.

Igor Florim