O que te atravessa?

A epifania do desejo.

A praxis do improvável.

Há um caminho todo seu, envolto numa delicada sessão de pipoca numa terça-feira. A busca pelas razões toma desta vez, formas mais radicais.

Foi preciso mergulhar profundo, num oceano de ideias, desejos, aspirações, segredos, momentos e lugares, idealizações, amor e raiva, sono e sobretudo, sonhos.

Para este tipo de mergulho, não podemos levar “nada”: roupas ou pessoas – estas, poderiam ser um erro. O que mais importa é o teu imensurável sentimento – logo, tudo.

Das coisas que escondido (mas com dever e obrigação ao ofício) levamos, devo destacar as dores.

Dores mal solucionadas, dores necessárias, dores justas, dores comovidas, dores musculares ou dores na alma. Como soluços que vão saindo aos solavancos que podem demorar ou não para retornar, e isto depende de novas e constantes escolhas (não escolher, significa se estagnar. E que coisa horrível é se acomodar na tua vida e ver o tempo passar pelos teus olhos, sem fazer nada).

Relembrei que o que deve ser trabalhado – como parte do seu ofício, a partir do momento em que foi descoberto, vira teu dever.

Desligar-se é um dever

Temer a mentira é um dever

Ser artista pode ser teu dever

Desamarrar-se de crenças e achismos liberta teus sentidos para a plenitude da apuração (seria esta a evolução que vemos acontecer?).

Se ver nas circunstâncias vistas, imaginadas ou (repito) relembradas te trazem pra tua essência – quais aromas? Cheiro doce? Buraco abaixo do umbigo? Tatuagem?.

Te vi na janela esta tarde, entrando em meu quarto. A porta semi-aberta, levava com o ar neurônios que após criarem vida, deram vazão ao sentimento.

A práxis do improvável junto à epifania da desordem: estou falando tua antiga lingua.

(Eu amo viver!)

Igor Florim