Novamente neste quarto. Ontem eu estava muito contente! Me lembrei de tudo o que já passei aqui, dos muitos filmes, livros, séries (das preferidas, onde eu entrava num mundo de ficção), das noites onde eu me arrumava sem pressa alguma – após dar 10 horas de aula aos sábados, para sair com meus amigos.

Dos sonhos… eles ainda existem, mas aqui plantei muitas sementinhas (às vezes tenho medo de quais frutos irei colher, mas eu pedi, então, há coragem para enfrentar), do sono infindo, dos alongamentos noturnos… das gravações, das lagrimas, do processo de criação dos meus personagens, decorando os meus enormes textos e escrevendo ocasionalmente.

Navegar na internet… toda a madrugada, descobrir mundos e estrelas, buscar, instigar ainda mais a minha curiosidade pelas histórias do mundo, dos mundos virtuais também e dos amigos – alguns ainda virtuais.

Aqui houve tudo. Tudo somou e me transformou. Mas hoje, é como se algo faltasse. Um buraco de suma importância. Como tampa-lo?

Procuro em mim brechas de solução íntima e precisa. E mesmo encontrando uma, não a vejo se realizar. Será um karma? Este é o meu maior medo. Temos que passar por isso? – eu, no caso. Pois lembro dos meus amigos e noto como tudo está “dando certo”, e me pergunto onde errei. (Seguindo o meu coração? Fazendo a única coisa justa e honesta com a minha alma?) E de contrapartida, penso em como as pessoas tentam mostrar uma vida que não tem. E talvez todos estejam na mesma situação, ou pior (eu diria): por não seguirem seu coração em troca de dinheiro (?), estabilidade (??) ou idealizações de terceiros (???).

Pensei muito nisso nesta semana. E cheguei numa conclusão (que na realidade é um fato, não há outra escolha, e nem precisaria haver, pois está tudo bem assim): Eu seguirei esta vida. Eternamente.

Artista.

Humano.

Sensível.

Será esta a minha provação? Ver até onde eu chego? Pois digo que chegarei longe, não penso na possibilidade de mudar de caminho (pois isto seria uma escolha horrível que me faria morrer a cada dia. E não há nada pior que morrer inacabado).

Mas a questão não é essa agora. Porém, pegando um gancho: será que estou morto?

A pergunta não cabe em mim e mesmo parecendo sem fundamento, digo isto pois algo perdeu o brilho aqui dentro. Algo morreu. E foi hoje.

Lembra da coisa da esponja? Meus dias são difíceis pois eu lido com isso o tempo todo. Um bruxo, tentando não ser afetado por ninguém. Sentimentos o tempo todo me atingem, e mantendo o equilíbrio, saio deles, e mais ainda: não atinjo ninguém com os meus. Hoje, não há um equilíbrio.

Mas sabia que o ato de escrever faz algo mudar?

Preciso te encontrar nos meus sonhos, estranho. Antes do almoço. Preciso me abastecer (há necessidade pisciana!).

Não darei meu dia como perdido.

Igor Florim