Houve um tempo em que tentei te encontrar todas as noites.

Nessas noites, como esta, o tempo demorava pra passar e, quando os ponteiros se estacionavam, eu começava a observar tudo o que emanava ao meu redor.

Fixava as minhas ideias na janela. Semi-aberta, fechada apenas com o vidro. A lua, de onde está, contemplava e contempla meu futuro sono.

E meus sonhos? E você? Onde te encontro? De que adianta não lembrar do passado, quando ele é tudo o que me resta?

Houve um tempo, em que minha pele e meu rosto ardia com o frio de São Paulo. Por trás (ou por dentro) de um cara que seguia pros seus trabalhos antes do sol aparecer (ainda sendo contemplado pela lua, tá vendo?), com todas as suas roupas e cachecol, tentando se proteger do vento que trazia a dor dos dias e a dor da alma.

Esse cara, completamente desencantado com o mundo, vivia dia após dia. Não sabia onde errava e nem onde acertava. Alguma coisa sempre faltou… a dor da alma, sabe? o incômodo.

Desde o dia em que se viu homem e o raciocínio ou a lucidez (?) começou então a existir.

Neste tempo em que os dias demoravam pra passar, ele pensava em desistir em todos os seus compromissos. A sensação era de desespero, de exclusão, de estranhamento brechtiano. Queria apenas vir pra casa – que casa é essa? Meus pais estão lá como na infância? Ou um estranho mora ao lado? (e mesmo nunca indo para casa nestas ocasiões (constantes), continuava sempre seguindo em frente cumprindo os seus “deveres”), ele queria esquecer de tudo – mas nunca identificava o que era esse tudo, nunca soube o que o atrapalhava, queria apenas deitar em sua cama e não fazer nada.

Tentar sentir o seu cafofo, acolhido pelo seu cobertor, apenas, mas acolhido. E quando finalmente é hora de estar nas linhas deste cobertor, nunca soube o que fazer e nem o que pensar. O que falta, continua faltando. Nada muda.

PS: Onde estes deveres o levará? Será que ele se perdeu no caminho? Será que o caminho já acabou e aquele cara está agora sem rumo?

Quando este tempo chega, só resta dormir? Pois se sim, penso que às vezes, não há sono. E nestas vezes, há a lua. Há você. Há o vazio. Há o silêncio.

SILÊNCIO:

Há quanto tempo não me via. Quase não me reconheci.

Quando a alma grita, o corpo cala e sente. Os pelos do braço se levantam, como em uma onda sagrada de arrepios. Os olhos doem. As lagrimas, caem. (Só agora caíram, sempre estiveram entaladas – onde?)

Queria com as notas te encontrar, e te falar da falta que você me faz… queria nos meus braços te mostrar, que o que eu sinto por você, me deixa em paz. Volta…

(Mesmo nunca tendo aparecido.)

(A cortina se fechou, o sol, não se abriu.)

(Nunca mais.)

Igor Florim