Me esqueci do tempo da delicadeza…

Onde ficaram guardadas todas aquelas lembranças? O tempo dos passeios, dos sorrisos bobos, das brincadeiras, das lanchonetes, das noites… do tempo em que no meio de tanta gente, nós conseguiamos ainda assim sermos só. Eu e você.

Até que chegaram as maldades, as cobranças, o tédio, a indiferença, a arrogância e sobretudo o orgulho, que matava tudo. O orgulho não deixava nada sobreviver… tirava as esperanças de um lugar bom e fazia com que parecesse que ela nunca tivesse existido. Nunca…

Toda a inocência de quem sonhava (e ainda sonha).

O que fizeram com a sutileza?

Por que estragaram a solidão?

Não houve ânimo ou tempo para a escrita, embora aqui dentro, exista uma morte lenta e gradual, completamente cênica e viva. Toda a intensidade tomou uma proporção nunca antes sentida e já não consigo mais controlar… talvez nunca tenha conseguido e apenas o grau dos desafios foram se intensificando. Eu não digo que me sinto forte como um touro? Então é como se algo falasse: “Prove!”.

As provas e espiações…

Nem sei mais no que pensar, estou numa inércia, infelizmente.

E no final, vejo que a bela cena do restaurante, onde me fazia imaginar (ao olhar as janelas) a vida la fora, na realidade não existiu.

Não consegui olhar pra fora. Estou apenas olhando pra dentro… não sei se é algo novo ou se sempre foi assim. Não sei se é bom, se é aries ou libra.

Nada sei…

Rumo à uma apnéia…

Igor Florim