Queria que você conseguisse ler as estrelas junto comigo, neste exato momento.

A conexão é sempre lenta e precisa. Um único descuido leva a alma a se desconectar e se perder. Como um fio solto, um coração partido, uma folga rasgada.

No escuro encontro as principais coisas que me afagam. É a sensação extrema de aconchego, de cafofo, de abraço. O que o cobertor protege? O que seu travesseiro embala? Já pensei sobre gostar na verdade, da solidão. De ser sozinho e ficar sozinho. E o engraçado é que tenho muitos ao meu redor e mesmo assim quase sempre escolho estar sozinho, e me sinto bem.

Uma vez escutei que quem precisa estar saindo com amigos todos os dias e não consegue estar sozinho, na verdade, não se suporta. Ou não se ama.

Não sei se é verdade, acho que sim. Mas pensando sobre isso, às vezes eu também não me suporto e corro pra caminhar na paulista lotada de pessoas. Mas ainda assim sozinho. Curioso.

Eu queria falar da sensação deliciosa que eu tenho estando na minha cama com a janela aberta, mas o assunto seguiu para a solidão. Talvez tudo seja a mesma coisa? Mas a questão é que a meia luz iluminando o meu quarto, me traz algo da infância que não sei o que é. Ou talvez algo de outra vida. É uma plenitude este aconchego. Algo que venho saboreando e amando mais a cada ano.

Ando precisando de você, Peregrino. E de falar dos meus medos.

Verei sua tatuagem em breve, até lá: tenha lindas e eternas noites (escuras) no paraíso (iluminado).

“Eu já vou indo meu bem, me da esse abraço, pra eu não levar… saudade…”

Igor Florim