Hoje escrevo para ser mais forte. O efeito de carregar coisas nas costas, tem sido gradual e destrutivo. Talvez eu ande carregando você. Apenas sei que hoje ao acordar, tomei banho, me arrumei rapidamente e sai de casa sem comer nada. Nada entrava traquéia abaixo. A sensação de vazio no meu estômago me saciava. A dor de algo me corroendo por dentro… tudo fazia sentido, sentir essas sensações faziam sentido, e por isso não me alimentei – sem nem pensar nas pessoas que sofrem por não ter essa opção. Mas sem discursos moralistas, segui para o metrô pensando na vida… como sempre. Me perguntei por vezes se as outras pessoas também são assim, e continuo sem entender sobretudo o destino – esse, me deixa louco. Pensei também no que ando escrevendo, e lembrei do meu peregrino, que descobri num blog como este, digo – lá o descobto de verdade. E li como a sua vida e suas dores seguiram por uns anos os rumos que a minha hoje segue. Mas o desesperador, é que não sei nada do amanhã, e embora sinto que chegarei onde preciso, não vejo tantas coisas acontecendo, ou talvez estejam, mas é aquilo que a Sônia dos astros uma vez me disse: – Você chegará até a porta, contemplará o jardim, e logo irá pensar:

“Mas e lá fora? Como é lá? Eu nunca fui lá!”

E partirá como uma flecha rumo ao futuro. Sagitariano. Nunca estacionado no presente.

Essa tem sido uma grande dor. O amanhã. Será que não devo pensar nele? Se não, meus desafios praticamente acabarão. Pois tudo o que luto é pensando no amanhã… o hoje é muito cômodo. Posso estar errado. Ouvi hoje em meio a minha prova de teatro, algo sobre os ouvidos. E logo pensei que se meu ouvido continuar sujo, não conseguirei mais ouvir as sujeiras que eu digo. Entende o quanto essas coisas me atravessam? Há em mim agora que volto pra casa, uma necessidade de por tudo em ordem. É como um casamento: basta abandonar tudo por um dia, e tudo vai por água a baixo. Há uma necessidade de estar em equilíbrio, diariamente. Se não amanhã eu sei que não estarei pronto pra acordar. E isso eu não me permito. Não mais. São dias tristes para minha nação. Embora eu já não me identifique com nenhuma cidade, muito menos país. E sigo como um camaleão. Me adaptei ao frio, mesmo eu vindo do deserto. Me adaptei à solidão, sendo criado com uma linda carangueijo. Me adaptei aos horários, a alimentação certa, aos treinos. Mas nunca – repito: nunca, a rotina. Não pode haver a rotina. Talvez eu esteja encontrando o meio do caminho… e sei que esse deve ser o meu maior objetivo, mas o novo ainda é a minha maior motivação. A fluência de toda essa cadência estaria dentro da mochila? Deveria dizer também que minhas bagunças estão por toda parte, de corações à armários, quartos ou estantes. Não ando sabendo como lidar. Aceitei minha loucura hoje cedo. E sou feliz por ser louco. É bom ter uma crise existencial todo dia, me faz notar que estou vivo e que algo esta acontecendo. Pois porra! Que triste seria viver na mesmice dos dias… Ontem me perguntaram se eu não sinto falta do amor. Eu disse sem exitar que não, mesmo sabendo que sinto. Já disse mil vezes que eu acredito no amor, e visceral como sou, eu amo de verdade quando é pra amar. E foi aí que notei que a minha resposta negativa sobre sentir falta do amor, se deu pois eu já estou amando. Logo, não sinto falta. Não é lógico? Sou humano agora. Foi então que pensei nos meus amores: o peregrino, meus pais, meu irmão, meu futuro sobrinho, minha arte e minha dor, meu oficio e minha solidão exacerbada. E sobre a solidão, ta tudo bem! A exacerbação é de sentimentos, por isso eu me nutro destes momentos. As noites de luar. As primeiras terças-feiras de cada mês. Os amigos, a minha passagem dos pedidos (desta falarei só depois), e aqueles momentos onde eu sentia com todas as forças da minha alma, bem 8 ou 80, como sou e devo seguir sendo.Acabei de entrar na minha casa. Ela é nova, mas já me sinto acolhido (tem haver com o negócio das mudanças e se acostumar cada vez mais rápido com tudo). O cheiro é doce e embora afirmaram que sim, vejo que hoje não deve chover.Me sinto grato, de verdade. Tudo fica bem quando as palavras saem… e, tudo se acalmou. Estou respirando, sentado no sofa. Calmo. Sem pensar em nada. Os encontros foram planejados pelas almas, muito antes que os corpos se vissem. E sigo assim. Me reconectei. Agora, posso fazer o meu almoço. Eu venci mais um dia.

Evoé.

Igor Florim