Depois de um longo e tenebroso confinamento entre quatro paredes, resolvi abrir a janela. Das vezes que eu venha memorar, lembro-me das chuvosasque molhava meu rosto e me atirava para o chão do piso-terreo, a descida era plainando sobre as cataratas sentimentais, das brisas noturnasonde os solavancos da ventania me chamava para o encontro, tocando a minha janela com sua personalidade, e me convidando para as festas no jardim vizinho, onde as memórias de um futuro (destino) que ainda estava por vir, ficava rodeando uma mesa de comidas e vinho, com cigarros e bebidas na boca. Quis imaginar como era o interior daquele cafofo, mesmo sendo meu, ninguém ainda teria me avisado sobre o que meu destino me dava com os meus sortudos pedidos. E das ensolaradas onde o suor dos risos me levaram pra janela em busca de um rumo astral, como num mapa: só acerta quem adivinha o sentido leste, e acabou por me deixar contemplar a corrida de bermudas rumo ao seu cais.

Há por perto, hoje que o futuro chegou, um portal. Por vez em que porta é entendida como uma abertura numa parte limitada do espaço, e portal o ambiente retangular no aspecto virtual na ilusão da vida.

O poder dos pedidos, como um Alladin que não deve esfregar a lâmpada: tudo se realizará. Pensando num bom lugar onde tudo é perfeito, num lugar médio onde tudo é meio-a-meio e um lugar ruim, onde nada vem do seu gosto. Imaginando então, um grau de dez digitos entre essas 3 posições nodulares norte-sul.

Pra cada pedido, um tempo-espaço indefinível, onde sempre será novidade, tudo depende do quanto você se dedica. Lembra que comecei com “depois de um longo e tenebroso…”, me referindo a duração do tempo com a palavra que se refere à um curso, pois eu definia alí, os meses ou dias (anos?) que um pedido pode levar para acontecer, e neste caso, eu disse longo mas este foi breve (meses).

Tá, garanta seu lugar, um assento pode se fazer necessário, e você enfim chegou: estamos quase virando esta virgula. Eu te disse que seus dedos correspondiam ao seu luar, agora, contemple a manhã. As novidades chegaram, sofra e cante com seus presentes que estão com o carteiro – o excesso dos videntes. Ele trouxe boas e más notícias, aqui nada será perfeito.

Durma.

Igor Florim