A inspiração de não mais dormir para então se manter acordado. Esses almoços tendem a trazer uma sensação de bipolaridade, de caos em meio a paz. Talvez a necessidade de se manter minimamente feliz, seja em equilibrar essa luta, e assim afastar qualquer outro sentimento.

– Guardaste a chave dos meus sonhos antes de eu morrer? Disse a Dorothy à caminho da estrada de tijolos amarelos, numa escala desafinada do que deveria por mim, ser menor.

As horas e os dias se passaram. Não pensar na vida me traz essa sensação: tempo perdido. É como se eu deixasse de racionalizar e apenas vivesse em estado vegetativo, e eis (como não menos do esperado) que numa segunda-feira após todo um feriado em casa, às 01h37, estou acordado, sem sono, tentando identificar os vestígios de mim. Quais são os pontos onde eu me bloqueio e onde tento ser eu mesmo?

A curiosidade continua me trazendo experiências. Mesmo que às vezes nem tudo seja bom, mas tentar expremer as coisas boas das pessoas tem sido feliz pra mim.

As coisas se mudaram outra vez. Há agora, onde mais coisas vivi, uma sensação de descoberta, de início lento de mudança. Até o frio voltou… consigo então sentir mais coisas, minhas orelhas ardem, minhas bochechas ressecam. Lembrei dos primeiros dias do ano! 2017 trouxe pra minha vida muita coisa. E a novidade de não saber (mesmo quase sabendo) o que vem a seguir, traz tudo com muita alegria de viver. As tardes e noites em saquarema, sobretudo. A piscina… a rua dos mariscos… a praia de pescadores. A areia que por formato tinha leves morros, ideais para encostar as costas e contemplar o céu para conseguir ver o que vem se mostrar, o horizonte do mar, o espelho d’agua. Tudo isso durante a noite. Os riscos vermelhos no céu de uma terça-feira à noitinha. Caminhar sozinho do centro para a casa. Ver pessoas e não ver ninguém. Sentir medo e proteção. Não sentir nada, não falar nada e absorver tudo. Guardar pra sí a vida, se equilibrar. Ficar cinco dias sem celular e muito menos conexão. Não ser quem não precisa existir. Boas memórias.

Algumas coisas vão ficando pra trás… talvez só assim sejamos mais fortes. Mas, sobre ter força, queria deixar de ter por vezes. Abandonar, não me importar, não me levar à sério, não ser, não me cobrar. Mas as coisas são diferentes… o ênfase nos amores que não aparecem… a necessidade em acreditar no que nunca me foi apresentado. A vontade de dormir mesmo sem sono. Como um alerta tarólogo: cuidado com o que você pede antes de dormir.

Igor Florim