Os sonhos estavam nos seus olhos. Hoje, ao se deitar no rio, sua pele deixava fluir com o gelado da água, tudo o que precisa seguir outro rumo. A direção levaria tudo aquilo pra outra pessoa, e a prova de que nada nunca iria se desperdiçar se finca em 2019. Tão pouco tempo, longinquo cidadão da longa praia americana.

No verão vermelho dos sonhos reunidos, há provações covardes para uma coragem assumida.

Gruda nos meus ombros, que te levo comigo. (A gratidão sempre fora uma caracteristica, e retribuir favores um acalanto praquela alma.)

Ele recebeu, assim que acordou do seu cochilo uma mensagem que grudou no vidro da janela do seu quarto. A mensagem (escrita com a mesma caneta que risca as tão faladas – na noite anterior, minhoquinhas brancas do céu) era na verdade uma pergunta, que se lançava em direção ao seu pensamento, a indagação: quais são as formas de te prender?

Mais uma vez não bastava fugir. O garoto agora, que se gabava em seu individual pela força que vinha adquirindo, notou duas coisas ao acordar do cochilo. A primeira era que, se ele se achava forte, o universo mandaria mais peso pra por sobre seus ombros. E a segunda falaria mais alto, como uma constelação fala. Bem como o posicionamento de todos os astros no momento do seu nascimento: ele estaria então, recebendo dos seus antepassados, novas pistas. Quem ele ajudou, hoje o ajudaria.

A bem da verdade, o garoto era um homem. E cabe ao homem reaprender tudo aquilo que a correnteza do rio trouxe, quando também levava o que não era mais pra ficar.

Só assim ele abriu seus olhos e viu. Viu tudo. Neste dia ele só respirou. E conforme seus olhos iam piscando, a claridade deixava tudo mais bonito. Aliviado e muito mais leve, ele notou que sofrer era necessário pra só então conseguir chegar onde precisa.

Deste dia em diante, ele não tinha mais nenhuma possibilidade de ser preso. O bilhete desgrudou do seu vidro e os cochilos eram agora, sem pesos na sua consciência antes de acordar.

Ele se lembrou…

Igor Florim