E finalmente – apesar dos meus temores, um ar de rotina se instaurou. Deveria citar aqui a data estelar do que já me foi dito, numa época onde não me lembro do linguajar dos dias. Sei que hoje eu faço parte de passeios noturnos no sereno da noite, com direito a orvalhos e alergias nos muitos lugares que quatro rodas puderam me levar.

Hoje eu faço parte. Com muito trabalho. O quanto tem sido prazeroso viver, encontrar pessoas, me aventurar, sentir vergonha ou medo e rir ou chorar – como se a lagrima fosse possível, mas sempre tudo em grande quantidade, não sei também dizer. Só vejo que a maré virou.

Há muito de tudo, como eu sempre quis. E ainda penso em como me arriscar mais, mas não consigo encontrar mais possibilidades. É sempre doce mergulhar neste mar, até que hoje mais cedo, me aconselharam a olhar o presente como se no futuro eu estivesse. E me convenceram sobre uma nova noção de espaço e tempo, lembrei muito de Laura Botelho e resolvi tentar.

São ao todo 48h de lua em peixes (no caso, a minha lua de sempre). Penso então inevitavelmente no futuro (mesmo sendo aconselhado a focar no presente, e olhe que interessante: venho por vezes aqui escrever estes epitáfios sobre mausoléus onde eu falo do futuro, nunca do presente, mas tendo esta visão de necessidade de estar onde estou e entender que aqui é o meu lugar no tempo, e que o amanhã que mora em mim, precisa continuar adormecido.), ele é o epílogo e eu estarei sempre no prólogo. Tudo isso é no mínimo curioso.

A capacidade de pilotar tem me dado acesso, não só a todo o espaço e além, mas a partes ocultas da minha personalidade. Me encontrei. Hoje, às 3 da manhã. E enquanto tento executar minhas tarefas diárias, confesso que considero algumas pessoas bem mais interessantes que outras, e tem sido curioso interagir. Dignidade e gentileza. Fascínio. Habilidade de criar relacionamentos. Estou entre os outros – mas ainda assim, distante. E daqui 72h enfrentarei um dos meus maiores desafios até agora e logo depois, iremos para uma festa.

“O que foi que aconteceu?

(…).”

Estes são os momentos que torna a vida tão orgulhosamente imprevisível. Diferente. Conexões. Ínfima.

Igor Florim