Há 2 dias em que a campanhia não parava de tocar. Conseguiu ver pela janela da sacada um homem turvo rondando para se aproximar. Pena, rancor e meia idade. Dava muito nojo – por mais que ele se via e não há estranhamento.

Houveram lembranças que quis afastar imediatamente de mim – com o medo de que uma delas pudesse me mudar. Tenho tido medo de tantas coisas ultimamente, de modo inconsciente, pois me imaginando, vejo-me forte como uma pedra. Ou talvez não tenha uma associação essas duas sensações: se sentir com medo e se sentir forte. A pedra então apenas era adjetivo de coisa alguma.

Completamente sem sentido, o distinto assombrava os meus dias. A nova realidade (distorcida) chegou. O pedido (distorcido) se realizou. E a pergunta que ficará no ar, é a incognita de o que é a verdade, o que se move, onde é o caminho e a confusão que é tentar se entender na vida.

E tentando entende-la (a vida) me afasto cada vez mais do que deve ser vivido – agora. Mas a bem da verdade, mesmo talvez vivendo da maneira menos funcional pra minha evolução (isto também não é verdade absoluta), me sinto muito vivo a cada crise existencial. Talvez tudo tenha que ser assim.

Quais são as coisas que precisam ser como são? O que vem imutável ao homem e o que vem na inércia memorável? (Tudo? Nada?). Seguimos protelando nossas dúvidas, como explicações para milagres que podem ser apenas erros na matriz ou acertos de continuidade – como num filme.

O peregrino afortunado abriu as portas do seu quarto e se viu sozinho, em seu imenso apartamento. Frio, vento cruzado, coisas voando. A sensação de que nada o vê – ninguêm o cuida. Solitário, ansioso e sortudo. Sua inteligência o levaria para onde ele nunca pensou estar – e mesmo assim: gostaria ou não de pertencer a estes lugares?.

Sobretudo a se calcular, o peregrino nessa altura estaria tão longe que nem lembrava de sí. Tudo se apagou – o humor travestido do super homem de Gilberto Gil. A câmera-lenta que filmava suas movimentações: quando o corpo fala.

Foi então que ele se viu artista, teimoso e eternamente solitário. Muito drama na praia longa do futuro. Estava tudo bem, ele se encontrou. Deste jeito. Nada nunca faltaria (e ele chegou ao futuro, observando o passado, que era agora o seu presente). Acredite: tudo fazia sentido pra ele e ele sabia exatamente o que iria acontecer pois via seu trajeto simultâneo às suas escolhas.

Alguns itens foram esquecidos por ele no apartamento de um amigo. Seria este exemplo necessário para provar que as coisas estão onde devem estar, ou foi um acaso sem sentido? O que é aleatório e estes eventos (aleatórios) existem mesmo? Ledo engano. Outra dúvida racionalizada. Essa semana notei que me esqueci de ti. Você deveria estar mais perto…

Igor Florim