Andei recolhendo toda a poeira. Algumas coisas andaram acontecendo… foram indo, pra sempre. Me vi. Foi hoje, por volta das vinte e três horas da noite. Segunda-feira no meio de novembro: abri a sacada em silêncio. Fui indo, me aproximando… o vento me deixava sem ar, ao tentar respirar dava com a testa na cidade e continuava a me intoxicar. Eu parei.

Venho de um tempo onde existe muita cobrança. E quando não é minha, alguém há de me atravessar também. Dos avessos. Mas ali, parado, nada mais existiu. Foi uma longa pausa… um silêncio veio pra tirar todo o peso. Acabei olhando distante outra vez, mas agora, ainda dentro de mim… vi tudo o que eu ando vendo, e antes tarde do que nunca, surgiu uma gratidão de dar um nó na garganta e uma dor no rosto.

O nó e a dor, que poderiam ser desfeitos facilmente, veio agora pra me lembrar do quanto eu sofro com a vida: a intensidade inquieta e ansiosa. O quanto protelei brisas mas mesmo correndo contra o vento durante toda a vida, ele sempre vinha frio… E eu sempre me vi de duas maneiras – nos dias em que eu esfriava junto com a temperatura e nos que eu, mesmo gelando por fora, sentia mais ainda pra conseguir esquentar por dentro.

Tenho vivido muito! (Se alguém vier me perguntar)

Hoje mesmo estou nos últimos momentos do dia, pensando em como os próximos serão bons. Com o natal vem a sensação de retomada, de transformação – a lembrança das tias e avós chegando em casa, as comidas, as risadas, os muitos colchões no chão para todos os primos dormirem juntos, os filmes-piratas e o retorno ao novo ano.

Até beber água tem me feito feliz. A sensação de matar a sede sem protelar. Eu observei que jamais fui dormir com sede. Tudo tem sido completo, mesmo em meio ao caos de sempre. Algumas coisas vão se organizando sozinhas… lá vou eu… sempre sem rumo e mergulhando profundo em muitos mares e me dizendo coisas (nadarei sempre sem saber).

Agora, só respire. Fundo…

Igor Florim