Dos dias em que nos permitimos seguir em frente. Estive por algumas semanas completamente sem andar. Tudo estava estacionado e não conseguia caminhar contra o vento. Uma sensação profunda da dor da emoção. A retificação de uma personalidade perdida, incompleta, surpreendida e desacreditada… mas completamente viva. Forte. Lúcida. O verso da vida de quem lê. O vento passa lá fora e leva todo teu rancor junto. Pra longe…

Hoje nada mais faz sentido. Tudo ficou pra trás. O garoto agora sem rancor tentava impedir o relógio por medo da noite chegar. O silêncio que esvaziava a fluidez sentimental. Como um alarde aos ventos que passavam por fora: “Ainda estamos aqui! Mande notícias do que anda vendo pelas janelas do apartamento. Beijos, mãe.” O custo que tua lâmpada lhe deu. Vinhamos e agora só os vejo indo. Não mais quis ficar parado vendo tudo passar. Virei, seguiu agora sem ver e… foi caindo. Nunca mais foi o mesmo. Ele nunca mais foi o mesmo.

Foi só a hora de respirar chegar, que tivemos problemas com essas relações. Acabei vendo mais uma vez tudo o que sempre vi: no início de uma história, já conseguir ler o final. Talvez a dor nunca é tão forte por conseguir a ver chegando bem antes, ou por doer (sem ser tão forte) o tempo todo. Sem respostas. A vida continua nos silêncios e na falta que eu ainda sinto de ter um dicionário de silêncios. O que é dito nunca teve importância… palavras sem sentido para mentiras protetoras. O que é dito, nunca me atravessou. Pobre, vergonhoso, vazio e breve: Como uma pausa. Assim é pra mim – sem som.

Igor Florim