E eis que hoje a noite, eu me pego observando o que voou. Quase tudo tem voado mas dessa vez não vejo só a ventania, decolei – com calma, junto. Escrever aqui me fez tão bem (num momento onde poucas novas coisas faziam sentido) e me peguei sentindo o que eu sentia no começo disso tudo.

Eu durante a minha adolescência, lia muitos blogs e fóruns na internet, e alguns dos que eu mais gostava, eram de pessoas desconhecidas – que eu encontrei sei lá como, e que escreviam lindos relatos de suas vidas, detalhes dos dias, observações das pessoas e daquilo que viam no seu mundo. Sutilezas que se perdem. Por isso sempre pensei em criar aqui, para não deixar nada mais se perder, nada mais sumir. Assim os meus escritos, que antes antes ficavam em papeis que se perdiam e a ideia também sumia junto. Como se eu nunca tivesse escrito. Ou dos blocos de notas dos celulares perdidos, roubados ou quebrados.

Deixando tudo transbordar aprendi novas coisas, uma delas é não levar à serio o que não é. Um dia desses eu acordei tarde da manhã. Aproveitei o momento de estar na cama e se permitir ficar ali. Os melhores pensamentos são aos domingos de manhã, na cama, sentindo a brisa gelada de São Paulo com a janela levemente aberta – o sol nunca entra nas manhãs, e pensando. Lembro inclusive nos domingos em que eu acordava em Ribeirão Preto na casa onde morava com meus pais, e a casa tinha vida. Chegando na varanda via meus pais lavando o quintal e já vinha aquela sensação de feliz repetição, das coisas boas que o domingo oferece, as risadas logo cedo e o café da manhã que era quase sempre em movimento. Ou indo logo cedo ao domingo na casa da minha avó e tia, a pé. Comprávamos pastel na feira da rua do lado e comíamos juntos. Meu irmão, meus tios e minha avó. E a mel também. Meu irmão se casou e minha afilhada tá quase chegando, meu tio se foi logo quando a minha tia faleceu há um ano e minha avó vive hoje com meus pais. Ah, a mel também se foi.

Muitas coisas se foram. Sobretudo neste quase um ano que moro sozinho em São Paulo. Mas, com as mudanças que foram sem tamanho, (é difícil inclusive conseguir perceber o quanto tudo mudou, as transformações que vivi, o tanto que aprendi. Sou quase outra pessoa, ou: estou relembrando como eu conseguirei ser eu mesmo.) me pego refletindo sobre o quanto tem sido bom entender o que me pertence e o que não é mais meu. Deixar passar o que não é pra mim… saborear palavras sem o medo de pronuncia-las, e se libertar pra escolher o que quiser.

Pensei sobre liberdade hoje no carro, voltando pra casa, e percebi também que pela primeira vez na vida, eu me senti completamente livre. Livre… uma energia livre e em movimento… e se parar, alguém aprisiona. E é seguindo sempre em frente que ontem eu fiz 22 anos. Quem eu sou? O que anda comigo? O que me formou? E o novo ano já chegou… e o surreal da vida, não para.

Haja fôlego!

Hoje a noite, eu irei mergulhar outra vez. Mande lembranças tuas. Cheiro doce…

PS: Ainda continuo nadando com um fôlego só. Nunca mais respirei.

Igor Florim