Um vendaval acordou todos os seus instintos. Tudo voltou ao normal… a desordem natural dos fatores em gritos constantes, dos fortes, que por abuso da força, arrebentaram a laringe daquele garoto e fez ele ir embora pra casa. São quase cinco da tarde. O súbito movimento que o lavaria de volta pra onde tudo sempre parecia estar calmo, mas por dentro, corria em movimento – saia de perto, ele quer fugir!. Ninguém mais iria sentir o seu olhar.

Como é difícil falar dele – uma estrada fria e rude, porém seguindo e bem no meio do caminho ele se deparou com a vida que escolhemos às cinco da tarde. Hoje em dia, a estrada certa está perdida. Um sopro… descida… raízes e o brilho dos astros que guiam os homens para onde eles escolheram (anos antes), nunca mais ir.

Tudo isso era um grupo de espíritos. Desestruturados. Os palácios e os templos caíram… nada que ele havia herdado restou. Sonhos… um segundo sopro de uma pequena vida. Completamente cercada destes… sonhos.

O teu caminho é iluminado e florido.

Ele nunca mais parou de andar. Tudo novamente reconectado. Quantas vezes os ciclos se repetem? Talvez seja da natureza deles nunca se estabilizarem – como num grande looping de uma velha montanha-russa.

Ele continua indo embora… mas desta vez, não é mais pra casa. Ele, que a bem da verdade era um garoto, ficou tão forte, que mudou seu horário do chá para às três horas da tarde e nunca mais se atrasou pra nenhum compromisso. Os passeios por copacabana no que restava dos dias, os velhos teatros e os pianos incontroláveis – Cida Moreira ainda tocava com harmonia longe da desordem de tudo, e seu castelo de areia que havia herdado dela em questão, foi pouco a pouco se petrificando com o sal das marés. Nada queria restar. Tudo vibra em rumos específicos e ele nunca iria se atrever a mudar rumo algum – talvez não devesse, mesmo.

Aquele garoto…

Continuou indo embora. E nunca se deixou passar sem querer. Um caminho de muita intenção para um garoto forte com o mundo e leve consigo mesmo. Ele nunca parou de ir, até que um dia, realmente foi. E nunca conseguiu voltar pra conferir o que havia deixado pra trás. Só conseguia olhar pra frente. Só assim aprendeu a viver.

Aquele garoto… se foi.

Igor Florim