Agora é madrugada. Passei uma tarde tranquilo em casa, refletindo, pensando e imaginando o meu 2018. Ele chegou tem 3 dias, mas tudo continua igual. Devo dizer que mudanças ocorreram mas custamos realmente vê-la. Notório mesmo é uma visão onde nada muda, nada salta, nada vibra: tudo continua sempre imóvel. (Como se nada acontecesse).

Estive fora por uns dias. Essa virada de ano foi incrível, agora realmente faz pleno sentido eu morar em São Paulo. É como se eu me encaixasse, me comunicasse, me conectasse com esta terra encoberta por asfalto. Mas, ligado assim acabei entrando no ritmo: estou num restaurante 24h, perto de casa (e olha que eu moro na ZL!), deu até pra escolher qual eu queria ir jantar e chegar em apenas 24h. Tudo vibra. Descer o elevador do meu predio, dirigir escutando Bros de Penda Bear – uma faixa de 12 minutos e que é com certeza, um caminho sem volta. Cheguei. Sentei num sofá almofadado bem na janela, olhando pra avenida chuvosa. Pedi pizza. Eu queria tentar detalhar o quanto tudo está encaixado: há pizza, consigo lembrar da minha família, suco de maracujá, que me cai diretamente na lembrança da faculdade em período de férias de artistas. Amanhã viajo de volta para a casa dos meus pais, passar duas semanas antes de voltar pra minha rotina. O ato de estar tranquilo, seguro e despreocupado, na madrugada implica diretamente na sensação de liberdade, de solidão – isso não é negativo!, perigo e segurança.

Nestes primeiros dias do ano, prestei muito a atenção em mim e em minhas vontades. Acabei me respeitando mais, entendendo os meus sentimentos e seus sinais. Os meus sinais… eles também mudaram pouco à pouco e eu só agora notarei?

Aqui no restaurante rolou Caetano, CPM22 (lembrei do meu irmão, do início dos anos 2000, da malhação, do Pedro Vilhena, dos CD’s), Cazuza. Junto à essa trilha, pensei muito no meu ano. Sei lá pra onde eu vou. Sim, ando precisando de uns conselhos. Talvez novidades ou explicações. Sei lá: talvez esteja buscando o que não existe, mas sigo firmemente. E as coisas andam só ficando mais intensas e poderosas. Dentre todas as possibilidades que minha mente cria todos os dias, o que é sólido e consegue ainda sim se mover, tem sido a minha gratidão das pequenas coisas. Esse e outros momentos, aventuras, novidades, dores. É tão bom sentir que terminarei essa noite daqui umas horas – quando chegar em casa, tomar uma água de côco que comprei especialmente pra essa madrugada e deitar no sofá (com a janela da sacada aberta), mas sentir pra tentar acreditar e enxergar no quanto a minha vida está completa em meio ao caos e o quanto devo agradecer por ter sorte: nas esquinas, nas apostas, nos amores.

A sobremesa ta chegando. Devo acreditar que tudo isso que vejo nos meus sonhos irá acontecer?

Quanta informação!!!

Obrigado por isto. Sem mais pesos nas asas.

Igor Florim