No tempo dos segredos descobrimos o nosso destino e nunca mais paramos, seguiamos sempre em frente, nas estradas do mundo, no teu coração e na fenda aberta na terra.

Está chovendo pela primeira vez em muito tempo. Tudo muito leve como se não devessemos nada na cidade em que morávamos. Sem sentir qualquer peso que viver acarretaria e deixando de se preocupar conforme dormimos juntos, mar-alto de mistérios, parla-parla no retrato e detalhes que sempre deixamos pra falar depois.

“Seria no prédio mesmo” – disse. Ouvimos de longe mas as coisas voltam a fazer sentido depois de um tempo. Olhando pro mar do alto das montanhas e tentando contar os risquinhos brancos paralelos que as ondas criavam com desenhos nas águas. Naquele dia fizemos só uns sanduíches rápidos pra não faltar tempo, num lugar em que era só eu e você. Sem nenhum relógio apressando ninguém a crescer.

Eu olhava pra você. Algumas pessoas passaram ali por perto e eu tentava te decifrar com toda a força do mundo. Só ali fui entender algumas coisas sobre viver aqui. Toda viagem um dia acaba mas fui achando um punhado de coisas, subindo cavalgando semblantes e reencontrando você.

D’ali em diante, admiramos tudo. Todas as pequenas coisas em você e e no jeito como arruma o cabelo ou fecha os olhos como um pequeno e charmoso toque foi sendo recebido. Andaremos juntos mais uma vez aqueles três quilômetros, existindo uma pilha de livros naquela geladeira, nunca mais fui o mesmo.

Dirigiamos. Solto à diante. Subir e planar. Russian-roulet. Amor-de-verão e saudações da lapônia. Tudo muito singelo enquanto contávamos os novos risquinhos brancos paralelos que se formavam como desenho das ondas no mar. O toque dos seus dedos no meu, o arranhar das digitais ainda em nossos corações. E qualquer outra coisa que da pra ficar olhando em você: saindo nos teus olhos.

Ontem eu tive a noite mais mágica de minha vida: ao virar à direita entramos numa estrada de cascalhos e depois de três quilômetros precisamos parar porque ficou fazendo uns barulhos que eu faria caretas se fosse te demonstrar. Foi bem esquisito mas agora estamos aqui. O sol acabou de se pôr, o calor passou, o cão está se divertindo… é incrível. Continua sendo um lugar muito mágico. E sim, é verdade o que te falaram, eu mudei sim e ainda agora pouco ganhei o meu primeiro relógio, competições divertidas numa curta rotina e intensidade na voz sem dormir no dia seguinte.

Aos poucos tudo foi indo embora… e mesmo assim, ele nunca foi o mesmo. Já faz mais de meia hora que estou preocupado em como tudo se transformou e ele agora se diz outra pessoa. Havia muita propaganda para atrair novos moradores para as cidades recém planejadas. Muita novidade, arrisque-se quem puder, não se salve em alto-mar e eu não aguento mais problemas. Em mim, tudo era poesia agora que encontrei um lugar pra ficar… sim, eu nunca mais fui o mesmo.

Igor Florim