Oi.

Hoje eu só vim aqui porque uma euforia na minha alma me inquieta. Me humilha. Me banaliza em ações e moral, como se nada fosse o bastante. A lucidez tardia que nunca chegou nesta terra. “Vida, pisa devagar…” escuto agora, entre outras brilhantes coisas soadas nos álbuns de Belchior. Agora acaba de passar da meia noite do dia 9 de fevereiro de 2018. Algumas coisas são importantes e julgadas necessárias para não sumir, eliminando qualquer racismo. Sobre a capa, é Itacoatiara e já se faz exatos um ano.

Amanhã vou pra passar uns dias na casa dos meus pais, sinto saudades, forro de cama, pão com manteiga que a minha mãe me faz, conversas com quem me viu nascer, amor, passeios pela cidade, corridas nos parques, pôr-do-sol, teatros municipal e pedro II, minha história. Sobre o homem que escuto agora, eu o conheci em 2012 de uma maneira aleatória numa aula de teatro. E reconheci em você, este que vos falo, Belchior. Das coisas que julgo como arte e me conecto sem forçar ou obrigar… chega a ser um cantinho ou cafofo do que eu sou enquanto pessoa e qual o propósito que tenho pra acordar cedo todos os dias. O foco além de sí. A violência da noite, a luz de outras janelas, o gato dos vizinhos, piscina tampada que não molha os pés.

Um algo à mais que sou, é uma lembrança. Ou uma possibilidade inativa ou mentirosa, nunca verdadeiro e forte. Imaginar continua sendo de bom grado aos ouvidos… enquanto eles contam pesados fardos de serem quem são. Sem mais teatros em setores específicos. O Brasil remanesce de espetáculos e arte e a população optou por extinguir esse incentivo público. Preferem agora, segundo nota da Folha, não mais falar ou ouvir sobre possíveis amores. Os sonhos deixaram quem estrelava, nas alturas, para mergulhar profundo. Só depois de muito fôlego e persistência pra não subir até a superfície dos jovens. Memórias necessárias para qualquer voz ativa despedaçada numa cultura repreendida até aquela geração.

Eu juro que não estou inventando… mas não vemos além dos nossos medos quando falta de coragem também é medo. Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. Viajamos sem querer no dia seguinte, mas até então, teríamos ainda o tempo de uma madrugada. E ninguém precisa de mais nada… da coisa que chamam madrugada, há tanta conversa que eu seria uma longa história. Talvez algo tenha sido dito, pois a vontade passou e termino aqui este conto. Guarda uma frase na sua filosofia e vamos deixar a profundidade de lado. Vou seguir a minha próxima vontade e se um dia ela também com vontade própria quiser sair, esse conto perdido em meio à tantas publicações na terra, terá uma continuação e só lá, será vivo e se fará necessário existir. Neste dia, entenderei que vim escrever por um motivo em processo, incompleto e ainda misterioso. Tudo um dia acaba, mas hoje não. Hoje ainda sou forte pro trabalho e amanhã a gente se encontra.

Tchau.

Igor Florim