Antes que pudessem ver outra coisa, o mundo se desfez em linhas quase transparentes. Sensíveis em som, toque, belchior e tempestades de verão no aurora da mooca.

Todas as quintas-feiras, seguiam felizes as três senhoras que um dia afagaram pão guela abaixo dos meninos, perdidos numa sombra da antiga família Silveira.

Ninguém nunca comentou mais nada. Foi quase como morrer. Desaparecimento precoce daquele já cansado rosto. Sem vida, sem horizonte, sem ideias. Nunca conheceu a fase adulta.

Abdicados em sonho são aqueles que lutam contra a maré o tempo todo. Se veem apenas com a força adquirida, gritando em seu corpo todo o exagero resultado da falta de nunca viver o que a alma quer. Nem um só dia. Nunquinha. Que nó na garganta.

Olharam todos juntos de cima de uma escada: era agora a hora do circo passar. Circo itinerante e por vezes esquecidos mas sempre há quem lembra do sucesso que fizeram anos atrás e leva uma porção de amigos num circuito cool.

Se sentaram e apareceram espalhados os atores de teatro que num ápice quase sem esperanças, berravam (na expectativa de serem ouvidos) para tentar encontrar outros de seu antigo elenco, que após separados (e não conseguindo lidar) se viram de frente com o que o Brasil precisava.

Sem comunicação, se afastavam cada vez mais, procurando o que parecia doer menos. Mas, todos, por igual se veem aplaudidos e admirados (mas doloridos) com as moedas de cortejo público, lançadas uma a uma para dentro daquele domínio e figura que se vende.

Como colisão e sem uma etiqueta de preço, eram obrigados a seguir. Até que na hora de agora, caira uma lei que narra quando sem enxergar pelos traumas do dinheiro alheio, que as pessoas terão o direito de buscar uma nova forma para se adaptar e seguir, sem pensar no medo que cada recomeço traz.

E por último e quase esquecido, saía aos prantos na praça da Moreira: “Preciso de um emprego!!! Sou médico, e acabei de me dar conta disso. Preciso de dinheiro para a faculdade.”

Ele acordou, e, quase não acreditara. Era peixes. A lua, tava em peixes!!! Alternando a paleta de cor do dia com as combinações do seu número da sorte. (Tudo há de mudar.)

Era exatamente o que o mundo precisava: música. Aquele peixe, nadou tanto, que, sonhava pelas noites muito vazias, sentindo em detalhes a brisa que vinha dos mares à fora. Foi quase como nascer pra quem nunca tinha sido despertado.

Igor Florim