Um dia consumida em receios se viu embriagada de esperanças – brasilidades, tamanco e uvas verdes. Foram sendo menos doloridos os recomeços e partidas (ignorantes) daquela voz. Quase um rumo sem volta. Encontrando as trilhas de um tempo esquecido, escuro, vagalumes brancos.

Buscou pelos cantos do barco uma velha chave de fenda elétrica: haverá cimento e pólvora nas bebedeiras do novo coma alcoólico geracional. Pum. “Eu voltarei”, escrito em todos os jornais daquela manhã. Isso tudo com os pés quentes ao acordar e pisar num chão molhado: as coisas continuam vazando, escorrendo de seus detalhes e completamente atraída pelo suor daquele chão, apenas respirava.

De tanto oxigenar, era ela agora a pedra e a poeira que se assentou. Restou-a no fundo do copo. Sujo, direcional e roxinhas de tão maduras. Essas foram as breves lembranças dela ao sonhar num cochilo de inverno. Assustada e consumida pela falta de um relógio, finalmente encontrou um rumo. Foi o bastante para se perder e ser ela própria (mesmo perdida) na vida. A esperança é uma merda.

Igor Florim