Foi preso. Nunca mais ouviram falar… viam suas partes desaparecidas nos locais mais perdidos, líquido como o mundo, deixava esvair tudo o que escorre – transborda de tanto derramar, resgata, atrai e liberta, molha, reagrupa e finalmente… se vê proibido. Mudo. Sem rumo e totalmente paralisado em si. Sem ação, limbo de sentir bem dentro. Resolveu fazer silêncio.

Algo não encontrou um equilibrio, alí, preso. Sem passos largos, sem olhares pro distânte que te direciona, que mira num horizonte e se lança como uma flecha em movimento, fluxo das ideias e parábolas que se auto apedrejam, martelam lá dentro, fisgadas do lado de dentro da costela e assim, precisou descansar. Pensou tanto sobre isso que ao acordar, era ele consigo mesmo. Sem o mundo que apontava e deixava a dor com tão pouco do que era ele de verdade. Totalmente incrédulo.

Seus olhos viam no mundo, o que diz muito mais sobre ele do que sobre o mundo. Sem grandes pretenções, apenas significados, pequenas pistas que gritavam, corriam pra perto, sinalizavam num horizonte aquilo que sonhou e se perdeu de tanto sonhar. Desacreditando mas apenas recebendo as surpresas no caminho – sem atalhos, pouco esconderijo e uma longa caminhada.

Seguia. Andando, andando… de tanto andar começou a admirar o caminho, o meio do caminho, os inícios, as chegadas. Rabiscava na mente todo um mapa complexo de lugares que eram na verdade, os seus próprios lugares. Foi se encontrando e sem medo, nunca mais foi o mesmo. Recebia e deixava acontecer neste fluxo, entregas, puras verdades, significados e aquele tal conforto. Abraçou a alma, cuspiu na cara e abriu os olhos… apenas enxergava.

Finalmente aconteceu.

Igor Florim