Naqueles dias ele sentia um pouco de medo. Com o mapa na mão sentia como se ainda não soubesse dos caminhos… completamente perdido. Bateu uma sensação tão leve que ele rapidamente tentou se apropriar daquilo e se segurar, como se não fosse afundar. Uma ponte, uma corda, uma mão. Era o meio do caminho. Nunca entendeu tão pouco do mundo como agora. Era só ele e seus medos… instrumentos pesados, antigas chantagens universais e mais do mesmo. Intacto e ileso mas mesmo assim ele ainda não conseguiu se agarrar em nada. O peso do mundo bateu sem dó. Forte maré. Desistiu de continuar lutando.

Afrouxou todos os seus músculos e entrou em suspensão. A leveza era tão grande que foi se descolando, soltando de si o que não o prendia mais. A dor gelada da mutilação que o oxigênio fazia ao encostar em tudo o que era vivo por de baixo da pele. Arrepios, tremedeiras, pressão baixa. Abriu um olho bem entre os olhos. Gelado. Um choque carregava aquele corpo de novas sensações e novos rumos. Apenas precisou piscar os 3 olhos e a vida havia trazido um novo momento… e foi o bastante pra tudo mudar. Traumas antigos também suspenderam o medo de dentro, pouco a pouco, voando… pra fora. Sabia que a hora estava pra chegar.

Vivia à flor da pele sem perceber. Grito interno, rotina aleatória e ausência de intensidade. Aquele tipo de conversa hoje em dia era uma das maiores imprudências do universo. Que loucura. Tudo era do mais fino e abstrato trato até que sem mais opções se viu obrigado a entrar num avião. Precisava se encontrar. Caminhos perdidos, energias estrangeiras, sussego pra acordar. A bem da verdade, faltava muito pouco pro próximo capítulo e vivendo longe, esqueceu do presente. Chegou tão perto, mas foi bem alí, na reta final que queimou. Largadas em vão, tempo perdido. Quase teve medo de entrar no avião, mas entrou.

Voou pra longe (e nunca mais pousou).

Igor Florim