Veio rasgando de dentro pra fora. Deu um nó garganta, uma dor, um vazio. Um buraco foi instaurado entre as paredes de um peito alheio. Completamente agressivo e voraz. Só consegui fechar os olhos… e só respirando sentia menos sentidos. Sem múltiplos focos. Doeu muito, quase que sem parar. Fisgadas, ponta de lança e o destino. Peito adentro.

Reivindicando apenas o que era seu por direito. Chão pra pisar profundo, teto pra morar, faca de dois gumes. Aquilo tava intenso demais, muita voz e pouco brilho… nada que entoa, apenas copia, reproduz e limita. Pouca vaidade e muita crença. Dona Vitória, que lugar ele foi parar? Justo quando há espaço em mim… luz pra se esconder. Brasa afora.

Foi como uma fenda, Dona Vitória. Um rito velho de passagem. Apenas o que era imóvel, parado em sonhos… impulsão sem sentimento (e aviso prévio). Lendo parece ser tão fácil mentir e tão difícil falar a verdade… e faltava apenas o sincero. Eu não conhecia ninguém de verdade. Máscaras e mais tampões tentaram cobrir a fenda. Amar afundo.

Foi tarde demais. Tamparam. Nada mais defenderia o fluxo da fenda (mesmo pronta pra falar). A voz, também se limitou. Os olhos fecharam numa ação mais definitiva de se anular e sem mais nada que o defendia, deixou de existir. Uma breve lembrança. Distância. Ninguém deu a mão. Foi como uma fenda, Dona Vitória. Nenhuma epífora.

Igor Florim