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Na utopia de pedra uma oportunidade de silêncio acabava de chegar. Ligação à cobrar, interesse emocional e jazz aos finais de tarde – no tempo dos passeios de carro, da não pressa, da possibilidade de esperar (ainda em silêncio) – vindo janela adentro, (atravessando) corpo jogado no oceano (puro desinteresse), foi caindo… quase esgotou.

Hoje fica pensando no tempo dos segredos

Tem coisas na vida que o universo faz questão de adiar… foi deixando como estava, escudos intactos, voz que não se abala até que viu uma oportunidade do que era passageiro e quase sem registro. Completamente perdido, aceitou. Poderia não ser. Ventos, café, pouca novidade e a fórmula resultou numa experiência urbana. Livre e racional. Visceralidade.

Gostava mesmo é de gritar com toda a força do mundo

A distância trouxe para o grupo um declínio de ações concretas. Pau mole. Não fizeram… passou rápido demais. Tudo isso numa viagem qualquer. Tirou de onde estava e locomoveu, alterou com a própria mão, influenciou onde não deveria. Percebeu tudo tarde demais… deu um medo, um frio na barriga, uma vergonha. Feroz voracidade. Voou.

No lugar do atrevimento fincou o momento no tempo

Especial demais pra ser ele mesmo. Foram só alguns minutos, récitas brandas num grito de lobo ao luar (sem uivar), música alta demais, surtos psicóticos… todos perdidos. O tempo era de uma outra piada, novidade urbana e vivência em segredo. Fingiu que não aconteceu, apenas fez. Foi o primeiro passo pro furacão, ainda solitário. Rodou muito.

Voltou remando violentamente aquela canoa

Não deixou parar. Choro e vela transcritos para um novo ritual. Todo mundo quer falar alguma coisa mas ninguém tem o que falar. Animais que gesticulam palavra nenhuma. Nunca souberam escrever, todos mudos e com frio. Encolhidos num sábado de carnaval… plantando bananeiras sem ter pra onde ir. Desacreditou de onde chegaria.

Continuou percorrendo todas as voltas do seu coração

Era agora uma nova experiência de vida. Somou, guardou o pouco que restou e com isso escreveu vários dias num só. Uma estratégia que era quase uma fuga. Ele queria se estruturar melhor… tentando algo de diferente num mundo onde só o nunca antes tentado traz alguma mudança. Ele já sabia de tudo. Com isso, buscava os perdidos.

Sempre tem algo te esperando ao acordar

A vacuidade era agora pura possibilidade. Enfrentava fila mas se auto ensinava sobre todas coisas que conversaria. Notou bem cedo que a fórmula daria certo. Faca na garganta e sem mais nenhuma lamentação não conseguiu cortar o que era de ferro. Realmente, não se abalou. Carregava tudo com ele (ficou feliz). Talvez um bom agouro.

Das coisas da vida em que não se perde ao se jogar

Igor Florim