Tem dias que são tempos à parte de todo o resto: quase como uma pequena fuga mas sem ter pra onde ir.

Numa dessas, tenho pensado em tantas coisas que depois de um certo tempo até a minha cabeça dói, como se alguma coisa do lado de dentro estivesse (nesses específicos dias) me culpando por eu ser tão pouco ou quase nada de tudo que sou.

A bem da verdade seguimos nos culpando: mão que sufoca, unha que rasga e dente que corta. A gente usa a própria força pra nos auto agredir em vergonhas próprias – ainda com uma máscara no rosto.

Fardo

Por isso vim desconstruindo em mim (no caminho de volta do trabalho) tudo aquilo que era insignificante demais pra mudar alguma coisa no mundo. Mas ok, eu me transformei mesmo que isso tenha sido um universo à parte apenas dentro de mim.

Eu não vou mais fugir

Nunca mais.

Igor Florim