O silêncio de alguns sonhos – quando tudo fica parado

Sua existência resolve adentrar uma inércia para de repente, descansar melhor

Tudo escuro por aqui

Dormindo profundamente

Meu corpo todo protegido por grandes cobertores

E eu lá em baixo, respirando um ar quentinho enquanto durmo

Parece que eu não estava sonhando apenas para ter mais vigor ao acordar

Pois me acordariam naquela noite, tentando me assassinar

Abri os olhos e automaticamente saltei junto atacando quem me matava

Meu corpo era forte

Pulei como um tigre

Um bravo felino instintivo

E humanoide

O mundo era a mesma coisa, só que outro mundo

Garras afiadas e gritos de horror: antes da minha morte, mataram todos os outros

Parei de raciocinar nesse instante

Acho que agora me mataram também

É a minha última lembrança

Mas machuquei muitos no tempo em que tive para reagir

Voraz

Ágil

Acordei pronto

Minha casa era linda

Nós éramos guerreiros num mundo em guerra

E meus familiares os mais fortes do mundo

Sempre cuidei para proteger todo o mundo

Mas isso foi maior do que a gente

Talvez armaram contra mim

Porém essa ira toda, não é mais minha

Não tramei vinganças

Ou guerras nucleares para agir sempre acima do oponente

Apenas deixei pra lá

Abri os olhos a minhas mãos tinham garras

Era uma espécie de pata

E onde eu estava naquele momento, conseguia tocar o meu espírito

Tirar amarras e implantes negativos

Removi os do meu coração

Eram placas pretas que não me deixavam sentir nada

Ira

Tirei toda a negatividade de mim

E em seguida, fui removendo minha pele com minhas próprias unhas

Rasgando tudo

Dilacerado

Foi quando eu finalmente me libertei deste corpo ancestral e resolvi vir pra esse mundo

Aprender a amar

Essas coisas tem me preenchido o coração

Cuidei com carinho de mim

Esquecendo todos os inimigos

Ignorando

Não há nada pior do que fingir que alguém não existe

Até ela acreditar que não existe mesmo

Acabei vencendo deste modo

Alguns nunca iriam parar de lutar e foram parados à força

Hoje estão perdidos

Em planetas de guerra

Renascendo sem parar

E matando todos que conseguem

São felinos acuados

Tigres em vigilância

Só experienciaram esse tipo de coisa então seguem nessa mesma inércia

Iludidos pela matéria que estão encarnados

Aqui na terra não é muito diferente

Mas parece que por sorte, os humanos conseguiram iniciar a regeneração

Isso é inédito nesse planeta

Não sei explicar mais nada… já se faz tanto tempo

Mas essa cena me trouxe junto todas as sensações daquela vida

O meu instinto ainda vivo

Meu sentimento de ser perseguido

Não confiar em ninguém

Acordar assustado

Porém armado

Pronto pra guerra

Um tigre que agora é livre de verdade e não sabe o que isso significa

Sem precisar organizar conflitos para sempre vencer

Apenas entregue como no rio onde eu nadava

E deixava águas me arrastar pra longe

Meu corpo apenas boiava e todos os meus músculos fadigados, se libertavam

Levado pela correnteza

Afinal um rio que tudo arrasta, chamam de violento

É tudo o que eu fui

Este rio

Esta violência

Um tigre cuidando de suas crias

Liderando uma nação

Vencendo muitas guerras

Matando os que vinham das estrelas para nos atacar

Queriam tudo de mim

Dei até mais

Mas estou reaprendendo

Esse guerreiro que eu fui agora luta outras guerras

Sem arma nenhuma nas mãos

E nascendo sem garras nas patas

Você julga mas o universo é tudo isso

Livre

Acontece que para quem não conhece nada… falta apenas tudo para saber

E quem não quer se instruir, continua assim

Humano

Café com leite

Criançada

Nós somos muito pouco. Queira ir além

E finalize suas guerras de uma vez por todas

Tu julga

E segue desinformações que são ditas por aí

Defendendo com suas unhas que não são garras e seus dentes que não são foices

Atacando quem vem para mostrar o diferente

Igual os tigres faziam

Mas nós aqui não somos tigres

E este é o seu karma

Apenas seu

Sua mente atrofiada

Sua falta de sensibilidade intuitiva

Tudo isso por opção própria

Pare de revidar ataques

E talvez use esse tempo para ver alguma coisa

Proteger a sua família

Seu cérebro não é uma ervilha

E o Brasil não é uma ilha

Olhe para dentro

Viaje para fora

Sem nenhum medo de revolucionar.

Igor Florim