Sim, tudo na vida terminará

Conclusões… quase que um auto sumiço, um ponto final, um último dito

Um último conto

Nesse dia, contarei bem as palavras

Irei medir cada detalhe… na expectativa de nunca deixar de existir

Uma construção lenta e finita…

Até a minha última oportunidade

Talvez quando eu estiver com uns noventa anos, ou seja lá quando for

Só espero que não seja em breve

Mas quando esse dia chegar, escreverei toda a verdade

A última página

O último grito

A minha existência lutando para viver por mais tempo do que meu corpo suportou

Quase nada finalizado de verdade

Mas… a última chance

Depois de ter usado todos os outros privilégios de vida, todos os dias que eu tive, todos os momentos que eu vivi, todas aquelas fogueiras…

O eterno agora

Durante a minha jornada inteira, escreverei um pouquinho

Talvez na esperança de nunca me esquecer de mim

Dos versos que eu sou

Das palavras que eu sinto

E de tudo o que significa estar vivo

A minha consciência agradece pela oportunidade desses contos

Por livremente criar tudo, todos os dias, todas as possibilidades

O mundo é tão lindo

Não há outro lugar possível de se existir que eu gostaria estar a não ser aqui e agora

Tem sido tão difícil

E tenho tirado de letra

Buscando as rimas certas

Soando melodias sumidas

Aquelas que em todo o universo, ninguém mais se lembra

Mas é o que eu trouxe para este mundo

O recomeço

A revolução

A liberdade

As palavras que foram embora para longe

Até chegarem aqui

As canções perdidas de outros planetas

Aquele tipo sonoro e verbal que nunca se ouviu

Isso tudo é coisa minha

Arte minha

Venho chorando em espetáculos onde eu atuo desde criança

Ou gritando bem forte como um tigre

E em tantas outras peças cantando como uma tentativa angelical

Falhei em todas elas

Que merda!

É o que me desejam antes de entrar em cena

Que tudo seja uma merda

Das mais brilhantes possíveis

Esse ano irei lançar o meu primeiro álbum de canções

Resolvi informar aqui neste conto, pois, existem coisas que são concretas

Como os meus contos diários

Ou as minhas dez canções anuais

Quem sabe algum livro ocasional

E sempre os espetáculos

Desde sempre

Para sempre

Eu tenho essas coisas. Acho que é o meu ascendente em touro

Sempre em frente!

Enfrente!

O devagar e sempre me seduzindo

Me mostrando as notas que eu sei cantar

É como no conto “Só mais uma vez”, do Rei… o Rei que sou, que levantou uma fortaleza inteira… só por colocar um tijolo por dia, todos os dias

Só mais um dia

Nunca pare meu irmão

Daqui um tempo tudo muda na sua vida outra vez

Aceite revoluções em ti

Cada ato que você precisa fazer, é uma revolução propriamente dita

Sólida

Faça

Revolucione

Me tornei essa crise toda

A paz de me sentir ampliado, conectado, liberto…

Fazendo muitas outras coisas com muitas outras pessoas e lugares, que não preciso explicar ou definir

Estou indo além

Talvez eu crie um filme

Ou narre novas histórias

Talvez um dia eu também exista fazendo politica

Mas eu nunca vou pedir o seu voto

Essa coisa não se pede

Talvez um ministro que cante como o Gil

Ou um vizinho que já velhinho, ajude o bairro semeando boas ideias

Ou com poesias

Elas mudam o mundo

Não tenha medo de revolucionar

Já que tu está indo em direção à feira, por favor, traz essas coisinhas para mim

Dizem que nunca podemos temer o recomeço

Ou a revolução

Pois somos isso tudo

E não enfrentar, é deixar de ser tudo o que se é

Eu nunca tive esse medo

Mas me importei tanto com a opinião de outros… que parei ali

Visualmente

Embora por dentro, uma revolução por dia

Todos os dias

Se é pra ser, seja

Nunca pare

Esse é o guerreiro que há em mim

Ele me defende

Ele me protege

Já passamos por tantas coisas juntos, que hoje viramos essas artes todas

Não quero mais me definir

Só ir me ampliar

Viver todos os meus dias

Tudo isso enquanto eu canto palavras que me libertam

E que são tudo o que eu sou.

Merda.

Eu amo conhecer novos teatros. Lembro de todos eles e continuo pronto para entrar em cena

Com todo o respeito, te convido para voltar aqui todas as noites, após um minuto de virar a zero hora

Mas é só um convite

Não estou pedindo o seu voto

Nem querendo o seu confete

Independente de quem esteja lendo, esses contos são para ti

Quando eu sair de cena eu volto e escrevo mais um pouco

Até lá, lembre-se: Não tenha medo de revolucionar.

Eu ouvi minha canção no rádio

Estou velhinho indo buscar coisinhas na feira, para a minha vizinha

Ela já não anda muito bem

Já eu, não posso parar

Quem sabe hoje seja o meu último dia

Espero que não

Preciso trazer essas coisas lá da feira para ela

Ouvindo minhas canções no rádio pelo caminho

Valeu a pena nunca parar

Há crianças cantando

O mundo agora é livre

E não tem nada mais bonito do que uma alma livre andando por aí.

Que todos sejamos assim

Livres

Merda

Evoé

Ayahuasca.

Igor Florim