É libertador aceitar o silêncio

Abandonar o incômodo da constante tentativa de manter uma conversa a dois

E talvez na minha mais profunda solidão esteja também o meu amor por mim

Há tanto tempo não me vejo

Eu me afastei de ti

Foi como um luto

Daqueles em que dói soltar a mão

Virei as minhas costas e fui andando para longe

No segundo passo a minha garganta fechou de dor

Um nó no meu peito

Queria ser surpreendido com um abraço daquele nosso jeito

E a sua voz me falando que nada acabaria

Mas não aconteceu

Chorei muito nesse trajeto da despedida

Ninguém me viu

As lágrimas caindo ninguém nem viu

Só por isso eu escrevo

É essa a vida que sai do meu peito… é a morte interior que eu reluto em não permitir

Meu vizinho me ouviu cantar minhas novas músicas

Eu cantava alto

Do meu peito um pequeno pássaro criava vida, voando satisfeito, trovador de rima viva

As notas agudas levaram de mim a tristeza dessa alma antiga que é só minha

Mas nos graves terríveis eu me perdi

Surfando as minhas notas

Expressando a minha revolta

O meu amor partiu

A bem da verdade, meu bem sou eu pois qualquer outro velho amor já não me ama mais

A mulher naquele carro estava com saudades do seu pai que já morreu

Bebeu todas na hora do almoço

Um choro no rosto

Não valeu a pena beber

Nada mudou

Desisti de despertar o meu celular para me acordar bem cedo

Quero acordar do meu jeito

Olhar o sol nascendo

Sentir algo novo do lado de dentro

Meu amor, já não tenho mais palavras para usar

Escolhemos assim então já quase não me lembro de ti

Do amor que me amou tão pouco

Do meu ser antigo

Já não preciso mais disso

Tu

Que nunca esteve comigo.

Igor Florim