Desde que chegamos no nosso novo lar, quase não fez sol algum nesse Lumiar todo

Tempo fechado

Nos últimos dias nós estamos indo dormir bem cedo

Esse temporal constante trazendo esse frio azedo, o mundo todo anda cheio de medo e muitos tentam interferir em negativo peso

Me ligaram perguntando se a gente não vai desistir, entregar o posto, abrir mão desse terreno todo

Notem o tamanho do esforço que tivemos para chegar até aqui, comprar esse lugar e tu me questiona quando vou sair?

Entregar o meu tesouro?

Eu estou é fugindo desse fim de mundo onde sofrem por crenças limitantes antigas

Prosperar não é pecado

Estive em busca de uma nova última saída

Mas de nada interessa a vocês sobre particularidades minhas

Voltarei apenas bem lúcido, gritando como sempre fiz no fim do mundo: Nunca desistam de tentar!!!

E tudo o que me pede é a desistência

Aqui chove muito mas não corro risco de nos alagar

Estamos num topo muito bonito

Florestas e rios antigos circulam esse recinto

E tu questionando se eu gosto de tanto mato assim ou se eu vou enfim retornar

Desliguei o telefone gargalhando

É até difícil acreditar em certas coisas que acontecem

Gritei muito alto para esse horizonte participar do grito

O céu me superou e tocou o terror com raios e trovões emocionantes, ele esteve ouvindo tudo o que eu sinto

A natureza está me ajudando a dispersar

E eu gritando bem mais alto

Cantando notas desesperadas, sons agudos, hinos de outros mundos tudo pra tentar me libertar

Soei todo o meu caos e já não tenho mais nada de negativo em Lumiar

Apenas o meu sorriso

É assim que eu me renovo

Podem me agredir todos esses diabos juntos mas o meu recomeço não é nada bravo, digo que supero o que me falam

Liberto o que me agrediu, eu faço as pazes com esse e qualquer passado

Note a sua energia empregada nisso

Já não sinto coisa alguma

O temporal foi lá para longe do terreno

Avistamos todo esse deslocar no horizonte

O planeta terra conversa como auto falantes

Liberta do meu peito qualquer barulho constante

Aqui no meio do mato, tudo é um aviso sinistro

Não permitimos lixo, entulho ou qualquer basculho de sua laia

Agora sim me sinto bem

Procurei um absurdo pra ter de assunto mas não te encontrei em nenhum argumento

Por tanto tempo eu senti esses avisos

Aqui tudo é mais leve e aquele caos do mundo se foi junto com o temporal dessas velhas terras altas

Nesse pedaço de chão tão vivo

Agora somos só recomeço, eu não preciso do seu aviso

Tentaram me seduzir mas eu não me entrego

Esse tipo de liberdade realmente não tem preço

Mantive as minhas portas abertas para todos que eu conheço mas quase ninguém veio, do mundo inteiro

Então apenas me restou seguir em frente

Sem azedas culpas no meu peito

Essa liberdade toda

Vamos correr atrás da chuva lá no horizonte

Essas colinas todas são Lumiar

Esse lugar tão brasileiro

A vida é realmente estranha.

Igor Florim