Sempre que vejo musgo e samambaias ou cogumelos em palmeiras, fico imaginando o tempo que levou até esse desenvolvimento

Ambos vivos numa quase simbiose

Em pouco tempo aconteceu tanto da vida em mim

Estava eu em um sábado feliz, comemorando o meu aniversário que foi em breve, aquele clima leve

Hoje a tarde choveu mas estava tão quente que a chuva não era um incomodo

Hoje eu não falei muitas palavras, vivi bem pouco

Desde cedo quando acordei fiquei em silêncio, sentindo um vazio no tempo

Dei alguns passos para fora do quarto, notei a solidão, o sol que entrava na minha casa, eu saindo na sacada

Eu queria viver de verdade

Gritar bem alto nessa manhã antes que ela se torne tarde, antes que tudo passe

Acordar multidões

Me vingar do vilão do filme alemão

Ser invencível

As horas se passaram e aquele dia arrastado, ainda em observação

Fiquei agradecendo no fundo do meu peito por esse silêncio

Eu já gritei bastante

Desci para a praia

Tudo tão calmo

Alguém me acorde, me dê dois tapas, me chame pelo meu nome

Nem as ondas hoje falam comigo

Um silêncio absoluto

Estou exausto disso tudo

Nesse vazio tremendo, tem alguém me lendo?

Preciso sair daqui

Voltei para o hotel

Procurei um abrigo

Ninguém me viu

As pessoas foram desaparecendo no caminho até aqui

Quase fantasmas

Eu não os vejo, eles não me veem, estamos quites

Festejamos durante a noite, é bom ter vinte e cinco anos e me sentir disposto

Mas hoje eu vou só descansar, dormir, cantar baixinho até apagar

Quem sabe nos meus sonhos eu tenha resolvido todos os meus problemas

No mais, amanhã arrumarei tudo o que falta, farei alguns telefonemas

Hoje eu estive atrás da paz.

Igor Florim