Acordei carente

Escada velha feita para desabar

Essa vida a minha frente tentou me engolir, me devorar

E eu teimoso

O intragável nato ignora um julgamento tosco

Só importa o que eu faço, falo, e não se tentaram me matar

Eu não preciso me vingar

Sou sagaz, esperto e rápido

Não sucumbi com o que falam

Abri a porta do quarto como quem acorda de um pesadelo tremendo

Ele se descobriu por inteiro, não teve jeito

Acordou como de costume, muito cedo

É essa a casa que eu vou atravessar

Abrindo janelas, empurrando portas

Agora eu sinto a sua pressa

Isso tudo cheira vodka

Tu quase não consegue se comunicar

Não fala nem o que interessa

Se afogou no silêncio da tentativa de outra conversa e nunca soube interagir

Então que fique sabendo – estou livre para sair daqui

As portas já estavam abertas

Corri para fora

Ao respirar o ar fresco do quintal, voei como um tufão

Arrebatando corações

Nunca quiseram esse voo

E eu que me amarrei na sua idade

Te encontrei no céu, em alta velocidade

Voando como se nada mais te importasse

Estou sorrindo para ti

E os anjos caindo daqui do céu, de perto de mim

Esqueci minhas coisas na casa que eu estava

Mas noto uma cilada

Ninguém me prende em uma jaula

Tentaram de tudo, perderam o rumo

Hoje não importa mais nada, eu não quero mais pousar

Te encontrei voando igual a mim e não te deixarei nunca cair

Esperam isso mas só de mim

Pra você, serei o ar todo desse céu

Te empulsionando

Tu é tão belo

O que importa sobre a minha vida, é o que eu próprio quero

Um voo calmo

Me chamaram de otário

Mas nunca farão tudo o que eu faço

Aqui no alto, tudo é tão claro.

Igor Florim